O Vietnã me recebeu com o ar denso e vibrante de Hanói — uma cidade onde passado e presente se entrelaçam em um caos fascinante. Assim que saí do aeroporto, o som das buzinas, o aroma do café forte e o vai e vem das motos me fizeram entender: aqui, a vida acontece em movimento. No Old Quarter, as vielas estreitas, os fios elétricos cruzando o céu e as barracas de comida de rua compõem um cenário que é puro ritmo e autenticidade.
Logo ao sul, a jornada me levou a Ninh Binh, conhecida como a “Halong Bay terrestre”. As paisagens parecem pintadas à mão — arrozais verdes, rios que serpenteiam entre montanhas de calcário e templos escondidos entre os vales. Subir as escadarias de Mua Caves foi um dos momentos mais intensos: o calor, o vento e o esforço se misturam até o topo, onde a vista recompensa com um panorama que parece suspenso entre sonho e realidade.
De lá, embarquei em uma verdadeira odisseia — um trem de 36 horas rumo ao sul, cruzando praticamente todo o país. Pelas janelas, desfilavam campos de arroz, aldeias, montanhas e cidades costeiras. As paradas eram breves, mas cada rosto e cada paisagem contavam uma história. No vagão, o tempo parecia desacelerar; era como se o trem me levasse não apenas por distâncias, mas também por camadas do Vietnã profundo.
Ao chegar em Ho Chi Minh City, a antiga Saigon, o contraste foi imediato. Uma metrópole pulsante, moderna e caótica, onde o barulho nunca cessa e a energia é quase elétrica. À noite, as luzes da Bui Vien Street transformam tudo — é como se a cidade se reinventasse. Músicas vindas de todos os lados, viajantes do mundo inteiro, sabores, sons e cores em uma explosão de vida. É o tipo de lugar que não se visita: se vive.
Viajar pelo Vietnã foi como percorrer uma linha do tempo em movimento — do silêncio espiritual das montanhas ao frenesi urbano das grandes cidades. Uma travessia que mistura introspecção e intensidade, paisagens que tocam a alma e experiências que permanecem gravadas muito depois que o trem chega ao destino final.