Sob o Céu do Mundo: Da Europa à África em Busca de Liberdade

Com uma mochila nas costas e um sonho maior do que qualquer mapa, parti para uma travessia que mudou tudo. Foram meses entre trens, estradas e céus estrangeiros — uma verdadeira odisseia pela Europa e pelo norte da África, onde descobri que viajar não é apenas mudar de lugar, mas mudar de forma de ver o mundo.
A jornada começou em Paris, onde o brilho da Torre Eiffel refletia o entusiasmo dos primeiros passos. Nas margens do Sena, entre cafés e músicos de rua, entendi que a Europa tem um ritmo próprio — ora caótico, ora sereno, sempre encantador. Em Roma, as ruínas do Coliseu lembravam que o tempo é implacável, mas a beleza resiste. Pisa e sua torre inclinada ensinaram que a imperfeição também é arte.
De lá, Viena revelou o esplendor dos palácios e o eco de Mozart nas praças, enquanto Munique ofereceu o sabor das melhores cervejas do mundo, compartilhadas em mesas longas com desconhecidos que logo viraram amigos. Perto dali, em Dachau, visitei o antigo campo de concentração — um silêncio pesado que faz pensar sobre o valor da liberdade e da memória.
Seguindo pelos trilhos, Praga me envolveu com sua atmosfera gótica e luz dourada; Amsterdã me libertou com seus canais e seu espírito livre; Luxemburgo surpreendeu pela paz e pela ordem; e Bellinzona, com seus castelos suíços e montanhas nevadas, mostrou que há lugares que parecem saídos de contos medievais.
Cruzei então o canal rumo a Londres, vibrante e infinita, e subi até Inverness, na Escócia, onde as névoas das Highlands carregam histórias que o vento ainda conta. Em Wales, ruínas e colinas verdes desenhavam o cenário perfeito para a introspecção.
Na península ibérica, o calor e a alegria me receberam de braços abertos. Madri vibrou em ritmo de tapas e guitarras, Lisboa embalou a alma com o som do fado, e Porto com a travessia europeia com o sabor doce do vinho e um pôr do sol inesquecível sobre o Douro.
Mas a estrada não terminou ali — apenas mudou de continente. Atravessei o Mediterrâneo rumo à África, onde a areia e o vento contam outras histórias. Em Marrocos, as ruas labirínticas de Casa blanca, os cheiros de especiarias e o chamado à oração ao entardecer me transportaram a outro tempo. Cada cidade parecia um sonho feito de cor, som e calor.
No Egito, reencontrei a grandiosidade do passado. Caminhei entre as pirâmides de Gizé, contemplei o pôr do sol sobre o Nilo e explorei templos milenares em Luxor. Sob o céu estrelado do deserto, compreendi que o mundo é vasto demais para se viver apenas num lugar — e foi ali que a vida nômade deixou de ser ideia e se tornou modo de existir.
De volta à estrada, percebi que o verdadeiro destino nunca foi um ponto no mapa, mas o próprio caminho. Entre fronteiras, idiomas e paisagens, encontrei algo raro: a sensação de estar exatamente onde deveria estar — em movimento.